DEPOIS DELES, SÓ DEUS
Mila Ramos
milaj.joi@terra.com.br
- Bom dia, Doutor, como está a sua saúde?
- Você tem dormido bem?
Que tal largar o estetoscópio, tirar o jaleco, usar um jeans e sair por aí, esquecendo as dores alheias e curtindo suas alegrias pessoais?
Você, Jaime, o querido Doutor dos meus pulmões dodóis, cansadões, que apitam ao sinal de qualquer chuvinha ou vento sul, alertados pelo espirro que me assusta e me recolhe mais para dentro desta salinha do computador, na frente de uma janela que dá para uma pitangueira carregada de frutos e sabiás cantadeiras, graças a Deus.
Você, Sérgio, Doutor querido do meu coração barulhento e alvoroçado, aquele que você herdou do Humberto, e que já conhece bem, tantas são as minhas idas e vindas ao consultório da rua XV, coração meu que me faz ter vontade de morar no seu prédio e abandonar esta janela e minhas sabiás cantantes. O nome disso é medo.
Você, Miriam, a Doutora do meu Pronto Atendimento, a amiga querida para onde corro assustada por dores e dúvidas, consultando volta e meia, aí ou aqui em casa, ouvindo as sabiás cantoras , onde estou sempre carregada de ais, pedindo socorro, pedindo o colo da amiga, o que não está fácil agora, que estou gordinha.....ou gordona? Sei lá! Também não interessa muito agora, já interessou mais.
Este é o tripé sobre o qual equilibro, ou tento equilibrar, a minha vida e minha saúde, só que, com mais alegria do que possa parecer a alguns, porque muita gente vem aqui ouvir minhas sabiás – nossas, porque elas vivem soltas na vizinhança, como outros tantos passarinhos em outras pitangueiras e palmeiras ou nas bandejas de alimento de vizinhos, que como eu, compram misturas de alpiste e sementes para pássaros da natureza. Vem daí...
Mas eu estava falando nos meus Doutores!
Fora outros tantos amigos médicos tão amigos a quem abraço neste dia.
O Dia do Médico foi no dia 18.
Mas no domingo, fiquei tão triste porque passou o dia sem que eu tivesse sido agradável de algum modo, que resolvi pagar o mico nesta segunda.
A idéia de morar no prédio ou num condomínio fechado onde eles pudessem morar perto de mim, continua de pé: só falta eles aceitarem a idéia, por mais estapafúrdia e incômoda para eles e confortável para mim que isto possa parecer, a ninguém até hoje, foi proibido sonhar na terceira ou quarta idade.
Sigo sonhando e tendo saúde, com vocês por perto, meus Doutores
Escrito por às 11h24 [ ] [ envie esta mensagem ] [link]









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