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  Publicado no Jornal NOTÍCIAS DO DIA, de 20 de outubro de 2008

 

DEPOIS DELES, SÓ DEUS

                                  Mila Ramos

                            milaj.joi@terra.com.br

 

- Bom dia, Doutor, como está a sua saúde?

- Você tem dormido bem?

Que tal largar o estetoscópio, tirar o jaleco, usar um jeans e sair por aí, esquecendo as dores alheias e curtindo suas alegrias  pessoais?

 

Você, Jaime, o querido Doutor dos meus pulmões dodóis, cansadões, que apitam ao sinal de qualquer chuvinha ou vento sul, alertados pelo espirro que me assusta e me recolhe mais para dentro desta salinha do computador, na frente de uma janela que dá para uma pitangueira carregada de frutos e sabiás cantadeiras, graças a Deus.

 

Você, Sérgio, Doutor querido do meu coração barulhento e alvoroçado, aquele que você herdou do Humberto, e que já conhece bem, tantas são as minhas idas e vindas ao consultório da rua XV, coração meu que me faz ter vontade de morar no seu prédio e abandonar esta janela e minhas sabiás cantantes. O nome disso é medo.

 

Você, Miriam,  a Doutora do meu Pronto Atendimento, a amiga querida  para onde corro assustada por dores e dúvidas, consultando volta e meia, aí ou aqui em casa, ouvindo as sabiás cantoras , onde estou sempre carregada de ais, pedindo socorro, pedindo o colo da amiga, o que não está fácil agora, que estou gordinha.....ou gordona? Sei lá! Também não interessa muito agora, já interessou mais.

 

Este é o tripé sobre o qual equilibro, ou tento equilibrar, a minha vida e minha saúde, só que, com mais alegria do que possa parecer a alguns, porque  muita gente vem aqui ouvir minhas  sabiás – nossas, porque elas vivem soltas na vizinhança, como outros tantos passarinhos em outras pitangueiras e palmeiras ou nas bandejas de alimento de vizinhos, que como eu, compram misturas de alpiste e sementes para pássaros da natureza. Vem daí...

  Mas eu estava falando nos meus Doutores!

  Fora outros tantos amigos médicos tão amigos a quem abraço neste dia.

O Dia do Médico foi no dia 18.

 Mas no domingo, fiquei tão triste porque passou o dia sem que eu tivesse sido agradável de algum modo, que  resolvi pagar o mico nesta segunda.

 

 A idéia de morar no prédio ou num condomínio fechado onde eles pudessem morar perto de mim, continua de pé: só falta eles aceitarem  a idéia, por mais  estapafúrdia e incômoda para eles e confortável para mim que isto possa parecer, a ninguém até hoje, foi proibido sonhar na terceira ou quarta idade.

Sigo sonhando e tendo saúde, com vocês por perto, meus Doutores

Escrito por Mila Ramos às 11h24 [ ] [ envie esta mensagem ] []

 

 Publicado no Jornal NOTÍCIAS DO DIA, de 13 DE OUTUBRO DE 2008

TRADIÇÕES, FESTAS E LEMBRANÇAS

                                        Mila Ramos

                                 milaj.joi@terra.com.br

 

Houve um tempo em que as festas que agora acontecem em toda  Santa Catarina, em outubro, aconteciam aqui em Joinville.

Começavam na Sociedade Ginástica, com a tradicional Festa da Bavária, com bailes animadíssimos que iam além madrugada.

As mulheres usavam trajes típicos belíssimos, bordados requintados, flores nos cabelos, havia eleição de belas rainhas loiras, uma lindeza!

Os homens também não abriam mão do vestuário próprio para a noitada alemã, calças que deixavam ver dois palmos de brancas pernas, usando ainda meias brancas três quartos, muitas medalhas no peito, lembrando os méritos antigos e os famosos chapéus de pequenas abas, que eram usados também em outras participações, durante os festejos.

Da Sociedade  Ginástica, a festa continuava na Liga de Sociedades,  onde aconteciam, tempos depois, as históricas provas de tiro, reunindo atiradores eméritos dos municípios de colonização alemã, do norte de Santa Catarina e o movimento era colorido e  intenso.

Nas ruas da cidade, desfiles típicos, carros com distribuição de chope e as bandinhas germânicas animando a festa, onde não faltavam os carros alegóricos, casamentos  da colônia, com carros enfeitados com as tradicionais  palmeiras e muitas flores.

Era a festa da Bavária que Joinville inteira curtia e que, como eu, muita gente deve lembrar e ter saudades.

Não precisávamos sair de Joinville para a Festa do Marreco, nem para a Festa do Tiro.

Era tudo aqui mesmo.

O marreco assado com repolho roxo e purê de maçã, o “eisbein” com batatas e o salsichão com chucrute eram o almoço ou o jantar preferidos da família, no domingo da festa. Comemorávamos com um naco de “blutwurst”, um gole de ”wacholder” ou com um gelado caneco de chope! Era tudo o que poderíamos desejar nos nossos outubros de um passado recente, nas nossas germânicas festas da Bavária.

Várias têm sido as iniciativas de festejar as origens da nossa colonização germânica. Agora temos a Festa das Tradições e eu  me congratulo com seus organizadores.

Todas têm seu mérito, seu valor e têm meu respeito.

Não pretendemos traduzir aqui, a história, só  lembranças. Quais são as suas? Enriqueça nossa saudade, use o endereço do jornal ou nosso e-mail e festejaremos juntos.

Escrito por Mila Ramos às 13h26 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Quero agradecer a delicada mensagem de Pascual e Lena Arp, enviada por e-mail, pela crônica  publicada abaixo, OS MAGINÍFICOS GLOBOS BRANCOS DO ARP. Um abração aos dois.

Escrito por Mila Ramos às 18h19 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Publicado no Jornal NOTÍCIAS DO DIA, em 29/09/2008

 

OS MAGNIFICOS GLOBOS BRANCOS DO ARP

                                                             Mila Ramos

                                                                             mila.joi@terra.com.br

 

Eles não me saem da cabeça! Que pena! Devem ter sido devorados pelas chamas. Ou não?

Três ou quatro dias antes daquele surpreendente incêndio, eu estive na área de administração da Fábrica Arp, cuja entrada era pela Rua Mário Lobo, para falar com o então Diretor Administrativo da Empresa sobre o patrocínio de livros.

 A entrada do escritório era de aspecto respeitável e senhorial; um pé direito altíssimo, que hoje é o do shopping instalado entre as sobras de suas paredes externas; suas salas eram separadas por nobre madeira escura, a mesma da qual foi feita a belíssima escada em semicírculo, que volteava a parede oeste do prédio e que me levaria ao andar superior, onde eu seria recebida.

Comecei a subir os degraus. Lá pela metade eu os vi: imensos globos brancos de opalina, pendurados em longos fios formados por pequenas placas de metal escurecido, que traziam os globos até mais ou menos a metade da altura do pé direito do andar térreo.

Parei ali! Fiquei apreciando a beleza dos mesmos, não sei se três ou quatro deles, que  espalhavam luz pelo ambiente austero do escritório. Não consigo imaginar quanto tempo teria a obra toda, nem me interessei mais por sua história porque, dias depois, tive de amargar a destruição do que eu já chamava de  “meus globos de opalina do Arp”... Nunca os esqueci.

Isto foi só uma visão externa da antiga empresa, marca registrada de nossa Joinville.

Quanta preciosidade as pessoas que ali viveram e trabalharam não devem lembrar ainda...

Um tinteiro antigo sobre uma escrivaninha antiga também, um velho cabide onde seu chefe pendurava seu paletó ou seu chapéu, uma tesoura pesada e grandalhona, difícil de lidar, mas que era a preferida da mestra da sessão, uma escala métrica, sei lá, qualquer objeto seu  de uso no trabalho e, que no dia seguinte, era cinza ou estava perdido entre escombros encharcados pelos bombeiros.

Acalentem esta lembrança e curtam as suas.

Eu vou ficar pensando onde eu penduraria aqueles belos globos de opalina se os tivesse salvo do fogo (e se me dessem), enquanto olho as fotos de uma temporada no Perequê em que estou em foto com amigas, usando um belo maiô Arp...Duas saudades ao mesmo tempo.

 

Escrito por Mila Ramos às 18h14 [ ] [ envie esta mensagem ] []

MARCELINA MINHA AMIGA

                                Mila Ramos

milaj.joi@terra.com.br

 

 

Acabo de chegar da Marcelina! 

Uma criatura simpática e gentil, sempre fazendo tudo para agradar sua cliente com seu jeito simples de ser e de agir, educada, cuidada e bonita, minha amiga desde que cheguei a Joinville, na década de 60. Ela tem sempre um sorriso e um "oi" alegre à nossa espera, seja o dia e a hora que for. 

Chegamos lá de cabelo em pé, escorrido ou encarapinhado, sem corte, seco ou oleoso demais, aparecendo os brancos ou com a pintura fora de moda, sobrancelhas desalinhadas, enfim, parecendo um espantalho e saímos prontas para uma volta no comércio de rua, uma olhada nas vitrines do “shopping”, ou, se for o caso, com jeito de dama ou miss, pronta para a festa.Passamos por uma reforma geral e saímos de lá com o astral nos Alpes. Coisas de Marcelina e sua equipe.

Conheço a Marcela desde que cheguei a Joinville e ela era aprendiz no salão da Doroti. Não foi um encontro feliz e já rimos muito disso: entrei lá e pedi para fazer as unhas e o cabelo; alguém me encaminhou para uma mocinha tímida que estava  terminando uma unha; fui atendida muito bem, depois a mandaram enrolar meu cabelo ( naquele tempo a gente enrolava);depois de uma hora de secador, a tal mocinha veio tirar meus bóbis e ouvi quando uma loira bonita disse a ela para desfiar meu cabelo; desconfiada, perguntei se ela era a Doroti e ela me respondeu que não, que a Doroti era a dona do salão. Pedi então a ela que dissesse à Doroti que queria ser penteada por ela.Não foi uma boa, claro!

Depois de uns bons puxões de cabelo pra cá e outros pra lá, de muita cara feia, saí do salão para não voltar mais. Mas dei graças a Deus quando encontrei a mocinha tímida (era ela, a Marcelina) fazendo unha noutro salão, na Lia, então na Rua Getúlio Vargas, meu caminho pra o Martins Veras. E daí, foi um PARA SEMPRE.

 Logo em seguida, no salão próprio, ela já penteava e cortava com competência cada dia maior e a confiança nela só aumentava.

Duas vezes fui a salões diferentes, mas meu caminho de volta estava escrito. Só ela conhecia o lado para o qual eu gostava de pentear o cabelo e para onde deveria cair uma tal onda, nossa velha conhecida..

Lá bati bons papos com amigas  como a Raquel Santiago,  Lucinda Boehnn, Sônia Manz, Juraci Zabot e com  a  saudosa Juraci Brosig.

Abração Marcelina, minha boa amiga.

 

Escrito por Mila Ramos às 18h05 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Há alguns dias publiquei um artigo no JORNAL NOTÌCIAS DO DIAS que começava assim:

 A primeira árvore da beira do Rio Cachoeira, já começou a descer a encosta. Pronta para afogar-se em sacrifício pela vida das demais companheiras, ela desce lentamente, os poucos metros que a separam do lodaçal em que se encontra, na maré baixa, nosso rio abandonado. É uma tristeza, passar por ali!

 

.......e agora, alguns dias antes da eleição, será que algum dos dois candidatos seria capaz de dizer uma só palavrinha do  que pensa sobre o destino daquelas árvores agonizantes da beira do rio?

Escrito por Mila Ramos às 18h02 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Publicado no JornalNotícias do Dia

 

ANDANÇAS PELA RUA XV

                                               Mila Ramos

                                                           milaj.joi@terra.com.br

 

 

Passo pela Rua XV de Novembro, em seu trecho mais central, entre a esquina da Rua Dr. João Colim e a Rua do Príncipe e paro na calçada da CELESC. Sou mesmo uma daquelas pessoas idosas que andam pela cidade em busca de suas saudades, catando lembranças, revendo cenas de antigas alegrias e que param nas ruas, mãos entrelaçadas nas costas, pensamento distante e que nem cumprimentam ninguém. E se sou acordada de meu estado de dormência saudosista, digo: Han? Eu estava só lembrando como era antes... e rio.

Neste dia, eu estava olhando para a Lyra, nossa Sociedade Harmonia Lyra.

A bela, a aristocrata, a chamada “alemã” pelos mais radicais do pós guerra, a mais “chic” pelos que não podiam freqüentá-la, enfim a sociedade dos mais ricos, como diziam os mais pobres.

Agora, e este agora faz tempo, sinto-a desanimada, calada, portas fechadas, cinza, silenciosa. Pouca gente entra ou sai. Nenhum movimento ou vibração que denuncie seu passado de nobreza ou glória: bailes a rigor, teatro, grandes concertos, escola de dança (Ah! Dona Liselotte), grandes bodas, boate movimentada todos os finais de semana, shows espetaculares, a Lyra estava viva!

Meu pensamento, reanimado,  entra Lyra adentro, passa pela entrada bonita onde, nos espelhos lindíssimos, a gente dava a última olhada no visual, cumprimentava a todos só de aceno, subia as escadas saltitando (Ah! Meus bons joelhos!) e aí, o Salão Principal se  escancarava, florido e iluminado para nos saudar. Risos e abraços, um oi para todos os lados, a orquestra tocava um bolero ou um fox e lá íamos nós, antes do primeiro gole do melhor vinho, do melhor champanhe, do wiskey mais nobre. Saudadona!

Saudadona mesmo é do paralelo 38. Se você não sabe o que é isso é porque não freqüentou a Lyra e sua boate jovem nos anos 50; era referência a uma zona da guerra que terminara. Era a alegria da moçada nas tardes de domingo, o ponto mais escurinho da sala, o mais romântico...

Assim era a Sociedade Harmonia Lyra: alegre, viva, jovem, adulta e madura . Vibrante!

Hoje está caladona, ”sentadinha” em seu belo sofá de estilo requintado, esperando pelos associados que quase não aparecem por lá. Por que será?

A vida tem a resposta!

E daí?

Escrito por Mila Ramos às 11h20 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Publicado no JornalNotícias do Dia 29.09.2008

 

OS MAGNIFICOS GLOBOS BRANCOS DO ARP

                                                             Mila Ramos

                                                                             mila.joi@terra.com.br

 

Eles não me saem da cabeça! Que pena! Devem ter sido devorados pelas chamas. Ou não? Sei lá...

Três ou quatro dias antes daquele incêndio, até hoje revoltante para mim, eu estive na área de administração da Fábrica Arp, cuja entrada era pela Rua Mário Lobo, para falar com o então Diretor Administrativo da Empresa.

 Sua entrada era de aspecto respeitável e senhorial; um pé direito altíssimo - que hoje é a do Shopping instalado entre as sobras de suas paredes externas- salas separadas por madeira escura, a mesma da qual foi feita uma belíssima escada em semicírculo, que volteava a parede oeste do prédio e que me levaria ao andar superior, onde eu seria recebida.

Comecei a subir a escada. Lá pela metade eu os vi: imensos globos brancos de opalina, pendurados em longos fios formados por pequenas placas de metal escurecido, que traziam os globos até mais ou menos a metade da altura do pé direito do andar térreo.

Parei ali! Fiquei apreciando a beleza dos mesmos, não sei se três ou quatro deles, que  espalhavam luz pelo ambiente austero do escritório. Não consigo imaginar quanto tempo teria a obra toda nem me interessei por isso mais, mesmo porque, dias depois tive de amargar a destruição do que eu já chamava de  “meus globos de opalina do Arp”... Nunca os esqueci.

Isto foi só uma visão externa da antiga empresa, marca registrada de nossa Joinville.

Quanta preciosidade as pessoas que ali viveram e trabalharam não devem lembrar ainda...

Um tinteiro antigo sobre uma escrivaninha antiga também,  um velho cabide onde seu chefe pendurava seu paletó ou seu chapéu, uma tesoura pesada e grandalhona, difícil de lidar, mas que era a preferida da mestra da sessão, uma escala métrica , sei lá, qualquer objeto seu  de uso no trabalho e, que no dia seguinte, era cinza ou estava perdido entre escombros encharcados pelos bombeiros.

Aproveitem esta lembrança e acalentem as suas.

Eu vou ficar pensando onde eu penduraria aqueles belos globos de opalina se os tivesse salvo do fogo, enquanto olho as fotos de uma temporada no Perequê em que estou em foto com amigas, usando um maiô Arp...Duas saudades ao mesmo tempo.

Escrito por Mila Ramos às 02h44 [ ] [ envie esta mensagem ] []

  

Uma Saudade

                                     Mila Ramos

                                      Milaj.joi@terra.com.br

Numa tarde de saudade, resolvi sair e passear por nossa cidade, com a cabeça em 1950, por aí.

Na Praça da Biblioteca, vieram todas as lembranças; Ali, na época freqüentada por gente jovem, namorados em encontros rápidos com medo de serem descobertos pelos pais ou pelo irmão mexeriqueiro. Era atrás desta pracinha que eu havia saído da minha casa, querendo lembranças dos meus últimos anos de internato no Colégio São Vicente de Paula.

Quem de vocês passeou por ali, aos domingos, após a Missa, ou à tarde, depois da matinê?

Poucas vezes fui ali, a convite da Terezinha Moreira (hoje, Rosa). Ao chegar à pracinha, escolhi um banco de frente para a antiga casa do Dr Acácio Moreira e de dona Araci.

Não sei quanto tempo passei ali, acho que entrei no tempo das lembranças, país distante já, saudoso pra chuchu. A casa era diferente, altos muros, também com caibros para combinar com o estilo enxaimel moderno (sei lá se existe esse tipo de enxaimel?  Só sei que quem viveu os anos que relembro, sabe exatamente como era, a casa  da Terezinha). Ela hoje está ali, mas sofreu as reformas que eliminam a saudade e as  cores de cartões postais: cadê o pé de noz pekan onde colhíamos as frutas cascudas e deliciosas? E a laranjeira, a goiabeira? Cadê o jardim bem cuidado, cheio de belas folhagens e arbustos, paixões de Dona Araci? Por dentro da casa, lembro o escritório do Dr Acácio, austero, com grandes sofás e poltronas de couro marrom, ficava encostado ao janelão fronteiriço da sala, onde a Tere e eu nos debruçávamos para olhar a pracinha. Ali devorávamos as rosquinhas e os bolos de Dona Araci, cujos farelos limpávamos às pressas!

Gosto de brincar com o passado.

Ainda lembro que, em minha viagem de saudades, olhei para a Rua Nove de Março e vi a loja Das belas rendas e sedas, dosDippe. Num casarão branco, muito cuidado, acho que vi a esbelteza e loirice, a Helga Lepper (hoje Loyola).

 

Dois anos depois de terminar o Colégio, uma surpresa me esperava na praia de Itajuba:

A Terezinha e o Orlando, em lua de mel como nós, Gercy e eu, havíamos nos casado no  mesmo dia 10 de janeiro daquele ano, 1953.Foi outra festa na praia!

 

Hoje, o quintal da casa que relembro é a Avenida JK.

Daí, então, é um cadê tudo!

 

NA: Esta página foi escrita dia 24.06, depois das nove horas da noite.

 

Escrito por Mila Ramos às 14h31 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Dia  Deles

                                 milaj.joi@terra.com.br

 

 

Embora estas palavras só sejam lidas na segunda-feira, estou escrevendo mesmo é no dia 8.8.08, um dia em que, na China olímpica, é considerado dia de sorte, coisa na qual não acredito - nem em azar. Quando eu jogava, na casa da Vada – amiga querida – sempre perdi, mas lembro-me desta fase como uma das melhores de minha vida. Do que tenho, nada foi fruto de sorte, nem mesmo meus filhos – filhos do amor, por quem sofri para dar a luz, e que, no entanto, são a luz, a alegria e a felicidade da minha vida.

Mas escrevo pelo Dia dos PAIS.

Há, dentro de mim, um lugar separado, a espera desse amor paternal que não conheci, a não ser de ouvir falar. Sempre tive inveja de quem tinha pai: o meu só existe numa foto antiga, vestido de marinheiro - era Mestre de Barco - sério e parecendo-me um homem muito bonito, com quem meu irmão é parecido.

E, neste Dia dos Pais, quero ouvir a voz dele e a de todos os pais.

Ouvir falar dos  teus olhos quando teu filho erra e a censura vem num sobrolho carregado, severo, grave.

Quero sentir tuas mãos a segurar-me firme nos primeiros passos e a apontar-me o caminho melhor, o mais reto, o mais ameno.

Hoje, quero ouvir todas as vozes que sempre quis ouvir, a voz do amor no abraço afetuoso ou no ritmo inquieto da bronca, a voz da advertência quando me passa as chaves do carro e me diz: cuidado!

A mesma voz que discute comigo na pelada ou no jogo da TV, é a que gargalha no orgulhoso estufar de peito pelas minhas vitórias

 Quero, hoje, Pai, ouvir a voz de todos os teus gestos, dos teus silêncios, das tuas noites em claro, do ronco relaxado do teu sono no sofá da sala, em tardes de sábado.

E, se não puder ouvir-te a voz, faz-me sentir, por Deus, o teu amor por mim.

                       Quem és

                       a voar nos meus lamentos,

                       em vôo azul, leve, rasante...

                       Quem és, pousado em mim?

                                                                             Mila Ramos

Escrito por Mila Ramos às 14h29 [ ] [ envie esta mensagem ] []

 Publicado no Jornal NOTÍCIAS DO DIA, de 25.08.2008

 

FESTA NO GLÓRIA

                                 Mila Ramos

                             Milaj.joi@terra.com.br

       

Este pedaço de Joinville em que o sangue dos imigrantes continua prevalecendo nos olhinhos azuis e nos cabelos claros das crianças, me proporcionou em espetáculo misto de saudade e de ternura. Fui convidada para uma apresentação de poesia, da 3ª série F, da Escola Municipal Pastor Hans Müller, dirigida, com competência e simpatia, pela Professora Maria Margarida Cardoso.

Terceira série do primeiro grau, isso mesmo, meninas e meninos de 8, 9 anos, que desfilaram no palco da Escola - cuidada e bela -  que fica perto da Igreja da Rua Jau, no bairro Glória.

As meninas lindas, se preocupando com a beleza dos cabelos, dos passos e com a perfeição dos textos quase sagrados de Vinícius e outros poetas, se apresentaram com perfeição de quem jura que vai ser artista ou escritora. Os meninos, para não fugir à regra, pareciam soldadinhos de chumbo cumprindo a eterna missão de ter decorado um verso na infância, o que nunca será esquecido.

Tive vontade de chorar de saudades do meu tempo de professora, ensaiando as festinhas do "Cruz e Sousa", em Tijucas. Era bem assim: a professora coordenando ações, inclusive os pequenos excessos dos coleguinhas, que, cansados de aplaudir, já queriam ser astros. As imitações eram muito divertidas. 

Eu me vi no palco nas duas interpretações: antes, como aluninha, depois como professora.

Mas devo reconhecer as diferenças: primeiro a dos pais e avós delirando pelo sucesso de seus rebentos! Os avós, os mais empolgados, tinham sorrisos de adoração! Falo em diferença porque, no meu tempo, não havia esse entusiasmo da família pelas suas crias: faziam muito em mandar seus filhos à escola, quando mandavam.

Outra diferença, o método de trabalho: a professora, Cláudia Regina F. Krieger,  tem corpo e alma de mestra! Diferente de professores à moda dos anos 40  ou 60, com raras e saudosas exceções, ela tem um comando sábio, sem muitos gestos e sem muita voz. Era atendida quando sussurrava e os aluninhos baixavam a voz para ouvi-la, (eu, quando queria silêncio, batia com a régua na mesa, cruzes!)

Um  lado bom me fez aplaudir a linda Roberta, cujos pais, ao meu lado, pareciam vibrar de orgulho. Ela se apresentou com Maria-sem-Vergonha, um poeminha meu. Seu avô, ausente, José Eli Francisco, o homem dos ipês amarelos, não imagina o que perdeu!    

 

 

 

 

 

Escrito por Mila Ramos às 21h36 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Publicado em CRÔNICAS, JORNAL NOTÌCIAS DO DIA, dia 18.08,2008

 

É TEMPO DE ELEIÇÃO

                                 Mila Ramos

                            milaj.joi@terra.com.br

 

Há quem goste!

Mas os motivos para não gostar, são muitos: cartinhas impessoais, telefonemas de quem não conhecemos - dos amigos de sempre, eu perdôo -."santinhos" por quem

não temos devoção nenhuma, programas de TV em horário nobre, chatos e longos, propaganda nas paradas dos sinais de trânsito, auto-falantes  nas ruas da cidade, enfim, mil chatices!

Mas não dá para fugir.Temos de utilizar a mão única que nos oferecem a democracia e a lei eleitoral para avivar nossa memória dos erros cometidos na eleição anterior.  Se você é um eleitor que não cobra promessas, que não reage diante dos evidentes exemplos de desonestidade pública, então não assista aos programas políticos, depois agüente os trens da alegria, desvios de verbas, os notórios enriquecimentos e não se irrite com o festival de algemas dos notáveis, que agora é proibido: só para assassinos e ladrões em fuga (para o exterior? Aí pode!)

Mas eu prefiro assistir aos programas políticos  para xingar depois, cobrar dos responsáveis as promessas mentirosas. Com e-mails, a coisa ficou bem mais fácil. Cobrar é o único direito que nos resta, já que outra coisa, cadeia, por exemplo, nem pensar! A justiça brasileira está  cheia de recursos onde nossos vilões podem se esconder... E viva o "prende e solta" nacional!

 

Nossos candidatos à Prefeitura de Joinville e à Câmara Municipal estão em campanha, quero ouvir programas e promessas de melhora disto e daquilo! Muito bem!

Entre outras coisas, quero saber qual deles está preocupado com a sentença de corte que receberam da Prefeitura, as belíssimas árvores da rua Hermann Augusto Lepper. As da frente da Prefeitura. estão  protegidas por poderosas placas  de cimento, ajardinadas, dando um belo visual para os cartões postais.

Tudo bem! Acho ótimo que tenham fortificado as margens do sofrido Rio Cachoeira (outros Prefeitos já haviam pensado nisso quando fortificaram a outra margem). Só queria saber por que não deram continuidade às obras nas margens do rio, onde estão nossas figueiras condenadas?

Falta verba! Ou é mais fácil derrubar árvores?

Gostaria que nossos candidatos a Prefeito e a Vereadores se manifestassem sobre nosso Cachoeira, já que os esforços dos políticos locais até aqui, foram tentativas frágeis de purificá-lo!

Eu gosto de programa político por isso!

 

 

 

Escrito por Mila Ramos às 16h30 [ ] [ envie esta mensagem ] []

Aonde andariam os Cartolas das Olimpíadas, quando a atleta brasileira do salto com vara estava sozinha, sozinha gritando para que respeitassem  UMA BRASILEIRA, que interrompessem a prova até que fosse encontrada a vara com a qual deveria saltar?
AONDE?
ALGUÉM SABE A RESPOSTA?
 

Escrito por Mila Ramos às 16h26 [ ] [ envie esta mensagem ] []

 

Publicado em CRÔNICAS, JORNAL NOTÌCIAS DO DIA, dia 28/07/2008

Um casamento para sempre.

 

Meu passeio de hoje nem faz tanto tempo... matei a saudade da Sônia Gofferge outro dia,  no Salão da Marcelina: ela continua a mesma mulher cheia de viço, alegre e simpática, o que para mim , a fez sempre bela. Minha amiga!

Em casa passei a rememorar o tempo que passou desde os malfadados incêndios já há tempos vencidos, porque maldade pura, aqui em Joinville, não se cria! Prefiro lembrar  as reuniões festivas na bela casa da rua Tijucas, jantares no jardim, bate-papos na acochegante sala de visitas um metro abaixo do nível da casa, toda forrada de lã de carneiro, gostosa e inigualável.

Mas o que mais me veio à mente, foi a festa dos dez anos de casados: eles se recusaram a festejar o casamento em si, porque só depois deste tempo decorrido, valeria a pena festejar porque já havia dado certo. Até porque o alegre e festeiro Bob disse que, quando ela entrou no Banco onde ele trabalhava, pensou: “Vou casar com essa galega!” E casou mesmo. Para sempre!

Mas a festa dos dez anos de casados foi memorável: o salão principal da Lyra estava cheio de amigos daqui e de fora, gente importante e gente simples, cujo passaporte era apenas a amizade e o bem querer do casal; pratos deliciosas para todos os gostos, sobremesas e garçons que não davam vez a copos vazios. Uma alegria só, pois o traje oficial da festa era a fantasia, à escolha do convidado. Havia um grupo que foi fantasiado de JEC, e eu posso lembrar da querida  Inge e do Miguel dançando valsa de tênis e shortinho – autencidade é para poucos -, na maior descontração e na maior alegria. A Carim e o meu querido amigo Roberto Wetzel, de quem tenho saudades, eram, sem dúvida, o casal mais bonito da festa. Esta minha lembrança não é social, o que a Liege, com certeza deve ter feito em sua interessante coluna num jornal da cidade. José Carlos Vieira, também. Ambos eram os “papas” do colunismo social, da época.

Joinville é assim, cheia de histórias alegres, cheia de comemorações, de lembranças lindas, de modernidade e de progresso. Os lugares vão tecendo novas características,

- ruas que atraem os bons “garfos e copos”, lugares que atraem jovens e executivos em descontração, barzinhos, danceterias. A Joinville de hoje é viva e moderna, graças a Deus. Mas nossas lembranças precisam ser cultivadas, curtidas.

_ Vocês estavam na festa do Bob e da Sônia? Fantasiados de quê?

 

 

Escrito por Mila Ramos às 10h44 [ ] [ envie esta mensagem ] []

 

 

Publicado em CRÔNICAS, JORNAL NOTÌCIAS DO DIA, dia 21/07/2008

 

E lá vamos nós para mais um passeio pelas ruas da nossa cidade. Faço isso para reanimar sonhos de juventude meus e seus, pois que aqui passei seis anos interna no Colégio São Vicente de Paula. Nesta época, víamos a cidade crescer sem tréguas, trechos de ruas arrasados em nome do progresso, as empresas aumentando seu potencial e as “torres” crescendo. Ainda se ouvia o apito das fábricas, hoje, não.

O som da cidade foi mudando, perdendo vozes e pedestres, aumentando o ronco de motores modernos, diminuindo as nossas bicicletas, que mais pareciam borboletas sob um jardim imaginário.

            Saudade, não? Muita saudade da carrocinha de pão fresco, do leite em garrafas que não existem mais, do tempero verde de nossa horta, a alface da vizinha, o armazém da esquina.

            Do que você sente mais falta, daqueles costumes de há cinqüenta anos? (Nossa, nem faz tanto tempo!)

            Gosto de pensar no Clube Joinville vivo. Reluzente! Com voz e vida! Ponto convergente da cidade em noites de baile, as calçadas cheias de curiosos esperando as mais belas, o mais belo vestido no réveillon, da mais bela fantasia no mi-carême .Isso era nosso Clube Joinville! Quem se lembra de sua fantasia em um determinado baile do passado? Eu lembro bem que a Marina e o Alonso Braga foram nossos anfitriões – Gercy e eu- ali, nós de melindrosas, num dos anos 70! Era uma festa alegre, animada, cheia de garotas lindas, hoje senhoras _ Regininha Douat Richter, Marli Pesch( subiu antes de nós, peninha), Terezinha Moreira Rosa, Mariza Campos, Marina Braga, e quem lembra de Moema  de Mello Monteiro, uma baiana lindíssima? Nossa! Quantas mais a encantar os corações dos jovens casadoiros.

O baile ia sempre até de manhã: os casais, ainda de confete nos cabelos, iam para a Padaria Boehm, tomar o café com aqueles que, descansados da noite bem dormida, iam trabalhar cedo. A Marina costumava prevenir-se dizendo que ia direto para a Missa na Catedral. Bons tempos!

Com certeza, não eram melhores do que o tempo de hoje, dos jovens nossos filhos e netos: Tão bom quanto... eu diria.

Tão bom porque éramos jovens, cheios de sonhos, cheios de desejos, de aventuras assim como eles o são agora: o mundo tem as portas escancaradas para eles, como tinha  para nós: nossas opções e que eram outras.

Até a próxima!

Mila Ramos

  

Escrito por Mila Ramos às 12h02 [ ] [ envie esta mensagem ] []